
| 31 MARÇO | Quarta-feira | 21h |
Via Sacra Comunitária
(Partida da Junta de Freguesia de Alferrarede)
Missa Vespertina da Ceia do Senhor
Adoração ao Santíssimo
Missa da Paixão do Senhor
Vigília Pascal
Missa de Domingo de Páscoa
Se até os discípulos, em vez de O compreenderem, O atraiçoaram, como podemos nós presumir que seremos fiéis, ofuscados como andamos por mil luzes que nos prometem uma felicidade passageira?
Ousaremos fixar o olhar em Cristo, pelo menos nestes dias santos?
Ousaremos caminhar até aos pés da cruz para que em nós renasça uma fé mais madura?
Ou ficaremos mais uma vez pelas boas intenções?
DOMINGO DE RAMOS NA PAIXÃO DO SENHOR - ANO C
28 de Março de 2010
A primeira leitura apresenta-nos um profeta anónimo, chamado por Deus a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade, os projectos de Deus. Os primeiros cristãos viram neste “servo” a figura de Jesus.
A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de Cristo. Ele prescindiu do orgulho e da arrogância, para escolher a obediência ao Pai e o serviço aos homens, até ao dom da vida. É esse mesmo caminho de vida que a Palavra de Deus nos propõe.
O Evangelho convida-nos a contemplar a paixão e morte de Jesus: é o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz revela-se o amor de Deus, esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.
A Palavra de hoje apresenta-nos uma mensagem muito optimista, a começar logo pela primeira leitura, em que o profeta nos enche de esperança.
Já o Evangelho faz-nos reflectir acerca de nós mesmos e das nossas acções. As palavras de Jesus “quem de vós estiver sem pecado atire a primeira pedra” apelam à nossa generosidade e ao nosso sentido de justiça.
Cristo veio denunciar as situações de pecado e injustiça. A Sua atitude não é de condenação mas de salvação. Ele é o Homem Novo, o Libertador, o Messias que veio resgatar-nos do pecado.
Na segunda leitura, o apóstolo explica-nos o que significou para ele o encontro imprevisto com Cristo: uma transformação total da vida, que o levou a privar-se de tudo por Jesus.
A liturgia de hoje fala-nos (outra vez) de um Deus que ama e cujo amor nos desafia a ultrapassar as nossas escravidões para chegar à vida nova, à ressurreição.
A primeira leitura apresenta-nos o Deus libertador, que acompanha com solicitude e amor a caminhada do seu Povo para a liberdade. Esse “caminho” é o paradigma dessa outra libertação que Deus nos convida a fazer neste tempo de Quaresma e que nos levará à Terra Prometida onde corre a vida nova.
A segunda leitura é um desafio a libertar-nos do “lixo” que impede a descoberta do fundamental: a comunhão com Cristo, a identificação com Cristo, princípio da nossa ressurreição.
O Evangelho diz-nos que, na perspectiva de Deus, não são o castigo e a intolerância que resolvem o problema do mal e do pecado; só o amor e a misericórdia geram activamente vida e fazem nascer o homem novo. É esta lógica – a lógica de Deus – que somos convidados a assumir na nossa relação com os irmãos.
Não é porque pertencemos ao povo de Deus que já estamos salvos. É necessário o arrependimento.
Assim como a figueira que não produz fruto deve morrer, assim também a nossa vida natural, oca e sem sentido, deverá desaparecer para dar lugar a uma outra que produza frutos abundantes.
Do sofrimento podemos, assim, extrair grandes lições de vida: foi o que fez Israel, como nos lembra o apóstolo Paulo.
Mas para produzir fruto abundante é absolutamente necessário conhecermos o nome de Deus, questionando-nos a cada passo sobre quem é e o que significa Ele para nós.
É o que nos propõe a primeira leitura, que nos leva até ao monte de Deus para que, ali mesmo, Ele se revele e nos diga qual é o Seu nome.
Nesta terceira etapa da caminhada para a Páscoa somos chamados, mais uma vez, a repensar a nossa existência. O tema fundamental da liturgia de hoje é a “conversão”. Com este tema enlaça-se o da “libertação”: o Deus libertador propõe-nos a transformação em homens novos, livres da escravidão do egoísmo e do pecado, para que em nós se manifeste a vida em plenitude, a vida de Deus.
O Evangelho contém um convite a uma transformação radical da existência, a uma mudança de mentalidade, a um recentrar a vida de forma que Deus e os seus valores passem a ser a nossa prioridade fundamental. Se isso não acontecer, diz Jesus, a nossa vida será cada vez mais controlada pelo egoísmo que leva à morte.
A segunda leitura avisa-nos que o cumprimento de ritos externos e vazios não é importante; o que é importante é a adesão verdadeira a Deus, a vontade de aceitar a sua proposta de salvação e de viver com Ele numa comunhão íntima.
A primeira leitura fala-nos do Deus que não suporta as injustiças e as arbitrariedades e que está sempre presente naqueles que lutam pela libertação. É esse Deus libertador que exige de nós uma luta permanente contra tudo aquilo que nos escraviza e que impede a manifestação da vida plena.