quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Para saber mais sobre o ADVENTO...

As figuras do Advento




Isaías: A figura da Espera

As leituras do Advento colocam-nos em contacto frequente com Isaías.
É o profeta por excelência do tempo da espera.
Tudo deve ceder perante este visionário, emocionado pelo esplendor futuro do Reino de Deus inaugurado com a vinda de um Príncipe de Paz e Justiça.

O profeta é conhecido apenas pelas suas obras, mas estas são tão características que através delas podemos conhecer a sua pessoa.

Isaías viveu no século VIII a.C, numa época de esplendor e prosperidade. Raramente os reinos de Judá e Samaria haviam conhecido tal optimismo. No meio deste frágil paraíso, Isaías vai erguer-se valorosamente e realizar a sua missao: mostrar ao seu povo a ruína que o espera, devido à sua negligência.

Era originário de Jerusalém e pertencia a uma família de elevada posição social. Pensa-se que recebeu uma educação esmerada nas escolas de escribas e de “sábios” onde se formavam os funcionários da corte real; cultivou a sua sensibilidade poética e a sua tendência criativa. Conseguiu exprimir-se num estilo inovador, repleto de imagens e de imponência religiosa.
Alimentado pela literatura dos seus predecessores, principalmente Amós e Oseias, Isaías prevê como eles, inspirado por seu Deus, o que será a história de seu país.

Isaías foi chamado pelo Senhor "no ano da morte do rei Ozias", por volta do ano 740, quando estava no templo, com os lábios purificados por uma brasa trazida por um Serafim (Is 6, 113). A partir deste momento, Isaías já não se pertence. Não porque seja um simples instrumento passivo nas mãos de Yahvé; pelo contrário, todo o seu dinamismo vai ser colocado ao serviço do seu Deus, convertendo-se em seu mensageiro.

Será um mensageiro terrível que anuncia o despojamento de Israel, a quem só restará um pequeno sopro de vida. Superando a situação presente na qual se misturam cobardias e compromissos, vê o castigo futuro que direccionará os caminhos tortuosos. O reino de Judá vai passar pela devastação e a ruína. O início da obra de Isaías, que originará a lenda do boi e do asno no presépio, marcam seu pensamento e seu papel. Yahvé é todo para Israel, mas Israel é mais estúpido que o boi que conhece o seu dono, ignora o seu Deus (Is 1, 2-3).

Isaías não se isolará no papel de pregador moralizante. Torna-se o grande anunciador da Parusia, da vinda de Yahvé. Assim com Amós se tinha levantado contra a sede de dominação que avivava a brilhante situação de Judá e Samaria no século VIII, Isaías prediz os cataclismos que se desencadearão no dia de Yahvé (Is 2, 1-17). Esse dia será para Israel o dia do juízo.
Para Isaías, como mais tarde para São Paulo e São João, a vinda do Senhor traz consigo o triunfo da justiça. Os capítulos 7 a 11 vão nos descrever o Príncipe que governará na paz e na justiça (ls 7, 10-17).

Numa linguagem poética, anuncia o Messias e canta o júbilo que faria estremecer as entranhas do seu povo.
O nascimento do Emanuel, "Deus conosco", reconfortará um reino dividido pelo cisma de dez tribos. O anúncio deste nascimento promete, pois, aos contemporâneos de Isaías e aos ouvintes do seu oráculo, a sobrevivência do reino, apesar do cisma e da devastação. Príncipe e profeta, esse menino salvará por si mesmo seu país.

Mas, por outro lado, a apresentação literária do oráculo e o modo como Isaías insiste no caráter libertador deste menino, cujo nascimento e juventude são dramáticos, fazem pressentir que o profeta vê neste menino a salvação do mundo.

Segundo Isaías, a única atitude fundamental é a fé, a renúncia a qualquer segurança baseada na política ou nas armas. Só a fé no Senhor pode salvar. Nada do que acontece no mundo escapa à soberania de Deus, que dirige os destinos dos homens de acordo com um “plano” oculto, muitas vezes desconcertante, mas sempre mais sábio que o dos homens.
Mesmo nos momentos de maior perigo, Isaías promete a libertação a quem puser toda a sua confiança no Senhor. É o maior dos profetas messiânicos. O Messias que anuncia é um descendente de David que fará reinar a justiça e a paz sobre a terra.


João Baptista: A figura da Preparação

Segundo o próprio Cristo, “entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Batista; e, no entanto, o mais pequeno no reino do céu é maior do que ele “ (Mt 11,11).

João Baptista coincide com Isaías no pensamento e na mensagem. Isaías está presente em João Baptista como João Baptista está presente Naquele para quem veio preparar o caminho.

João Baptista é o precursor por excelência e o último profeta a anunciar a vinda eminente do Messias tão esperado, embora de forma tão inesperada.


São Lucas conta-nos com detalhe o anúncio do nascimento de João (Lc 1, 5-25). O anúncio do nascimento de João é solene. Realiza-se no âmbito litúrgico do templo. A sua chegada não passará despercebida e muitos se alegrarão com seu nascimento (Lc 1, 14); abster-se-á de vinho e bebidas embriagantes, será um menino consagrado e, como prescreve o livro dos Números (6, 1), não beberá vinho nem licor fermentado. O Espírito habita nele desde o seio de sua mãe. A sua vocação de asceta une-se à de guia do seu povo (Lc 1, 17).

João Baptista é sinal da irrupção de Deus no seu povo. O Senhor visita-o e realiza a aliança que havia prometido.
O papel de João Baptista como Precursor é muito preciso: preparar os caminhos do Senhor (Is 40,3); deverá anunciar um baptismo no Espírito para a remissão dos pecados, um baptismo que será luz “para iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte “ (Lc 1,79), como dirá Zacarias, no Cântico que entoou quando pôde falar. Conhece a sua missão e designa-se a si mesmo como “a voz que clama no deserto”. Depois, já a viver no meio dos homens, compete-lhe indicar aquele que é “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29), anunciando-lhes que estava entre eles e não O conheciam.
João Baptista dá-nos uma lição de silêncio e de recolhimento para poder dar testemunho; para poder denunciar o pecado com corajosa e franca honestidade; também para poder anunciar a morte e ressurreição do Senhor, porque “mais pequeno no reino do céu é maior do que ele” (Mt 11,11).

O sentido do seu papel fizeram do Baptista uma figura sempre actual através dos séculos. Não se pode falar dele sem falar de Cristo, mas a Igreja não lembra nunca a vinda de Cristo sem lembrar do Precursor. O Precursor não está unido apenas à vinda de Cristo, mas também à sua obra, que anuncia: a redenção do mundo e sua reconstrução até a Parusia. João está sempre presente durante a liturgia de Advento. Na realidade, o seu exemplo deve permanecer constantemente diante dos olhos da Igreja. A Igreja, e cada um de nós nela, tem com missão preparar os caminhos do Senhor, anunciar a Boa Notícia. Mas recebê-la exige a conversão. Entrar em contacto com Cristo supõe o desprendimento de si mesmo. Sem esta ascese, Cristo pode estar no meio de nós sem ser reconhecido (Jo l, 26).

Como João, a Igreja e seus fiéis têm o dever que não cobrir a luz, mas de dar testemunho dela (Jo 1, 7). Lucas resume em uma frase toda a atividad de João: "Anunciava ao povo a Boa Notícia" (Lc 3, 18).


Maria: A figura da Esperança

Também Maria, a criatura mais íntima do mistério central da nossa fé, a Santíssima Trindade, é indissociável, pela sua maternidade virginal de Deus Filho, do Advento. Ela, mais do que ninguém, soube o significado, pela sua total colaboração no plano salvífico de Deus, pela entrega a seu Filho, da vinda do Messias.

Maria está presente em todo o Advento. Neste tempo, contemplamos Maria como a mulher que disse sim à vontade de Deus. Um sim que lhe irrompeu do coração como um acto de fé e de entrega à palavra de Deus e como um compromisso de fidelidade até às última consequências. No Advento e a exemplo de Maria, nós, cristãos, renovamos o sim dado a Deus para, pela fé, acolhermos Jesus que nos vem salvar. É um tempo de dizer sim à palavra de Deus e de a pôr em prática, para pertencermos à família de Jesus.
“Aqueles que vivem com a Liturgia o espírito do Advento, ao considerar o inefável amor com que a Virgem Mãe esperou o Filho, sentir-se-ão incentivados a tomá-la como modelo e a preparar-se, vigilantes na oração e ... jubilosos no louvor, para ir ao encontro do Salvador que vem”.

A primeira vinda do Senhor realizou-se graças a ela. E, por isso, todas as gerações a chamamos Bem-aventurada. Hoje, que preparamos, a cada ano, uma nova vinda, os olhos da Igreja voltam-se para ela, para aprender, com estremecimento e humildade agradecida, como se espera e como se prepara a vinda do Emanuel: do Deus connosco. Mais ainda, para aprender também como se dá ao mundo o Salvador.

Sobre o papel da Virgem Maria na vinda do Senhor, a liturgia do Advento oferece-nos duas sínteses, nos prefácios II e IV.

A partir da segunda parte do Advento, a preponderância da Mãe Imaculada é tão grande, que ela aparece como o centro do Mistério preparado e iniciado. Assim as leituras evangélicas do IV Domingo, nos três ciclos, estão dedicadas a Maria. E nas missas próprias dos dias 17 a 24, correspondentes às antífonas do O, tudo gira ao redor dela. E com razão.


José: A figura da Confiança

José foi o homem justo escolhido por Deus para ser o esposo de Maria e pai adoptivo de Jesus. A Escritura fala muito pouco dele. A presença de José no Advento convida-nos a reconhecer que Deus actua em nós e na história para além dos aspectos legais e das complicações humanas. Quando assomarem os conflitos e as dúvidas na nossa consciência, devemos refugiar-nos no Senhor e confiar na sua bondade. A santidade e a maturidade na fé não solucionam, de uma forma mágica, as angústias e vacilações do coração. Exigem que efectuemos um discernimento na oração e na escuta da Palavra. E virá o Anjo do Senhor.


Anjo Gabriel: A figura do Mensageiro

No Advento, são-nos narradas duas intervenções do Anjo Gabriel: uma em Jerusalém, no templo, quando anuncia a Zacarias o nascimento de João Baptista; outra em Nazaré, quando faz a Maria a proposta de ser a mãe do Messias.


Fonte: Diocese de Leiria - Fátima


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Actividades do próximo Sábado


No próximo Sábado, dia 19 de Dezembro, às 15h, iremos receber no Salão Paroquial o grupo JMV de Paialvo para nos entregar o Círio do Acantonamento da Beirã.

À tarde aproveitaremos também para preparar a festa de Natal das crianças e a visita ao Centro de Dia.

À noite, teremos o nosso jantar de Natal. Vamos directamente do Salão para o Restaurante.

O jantar será no Restaurante "A Lareira" (ao pé da Igreja da Chainça), por volta das 19h30, e custará 8€.

Durante o jantar, faremos a habitual troca de prendas. Por isso, cada um tem de levar uma prenda que custe entre 2€ e 3€, para poder participar na troca.

Têm de dizer ao TóZé se vão ou não até à próxima quinta-feira.

Contamos contigo!



sábado, 12 de dezembro de 2009

Apresentação do projecto das obras da Igreja de Nossa Senhora do Rosário


No próximo Domingo, dia 13 de Dezembro, às 15h, decorrerá na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Alferrarede, a apresentação do projecto das obras para esta Igreja.

Pede-se a toda a Comunidade que esteja presente, uma vez que se trata de uma obra que resultará de uma comunhão da esforços de todos nós.

Todos somos Pedras Vivas da nossa Igreja e, por isso, todos temos o dever de participar na sua remodelação.



* As imagens apresentadas são meramente ilustrativas da notícia.

Liturgia do III Domingo do Advento, 13.12.2009




3º DOMINGO DO TEMPO DO ADVENTO - ANO C
13 de Dezembro de 2009


O tema deste 3º Domingo pode girar à volta da pergunta: “e nós, que devemos fazer?” Preparar o “caminho” por onde o Senhor vem significa questionar os nossos limites, o nosso egoísmo e comodismo e operar uma verdadeira transformação da nossa vida no sentido de Deus.

O Evangelho sugere três aspectos onde essa transformação é necessária: é preciso sair do nosso egoísmo e aprender a partilhar; é preciso quebrar os esquemas de exploração e de imoralidade e proceder com justiça; é preciso renunciar à violência e à prepotência e respeitar absolutamente a dignidade dos nossos irmãos. O Evangelho avisa-nos, ainda, que o cristão é “baptizado no Espírito”, recebe de Deus vida nova e tem de viver de acordo com essa dinâmica.

A primeira leitura sugere que, no início, no meio e no fim desse “caminho de conversão”, espera-nos o Deus que nos ama. O seu amor não só perdoa as nossas faltas, mas provoca a conversão, transforma-nos e renova-nos. Daí o convite à alegria: Deus está no meio de nós, ama-nos e, apesar de tudo, insiste em fazer caminho connosco.

A segunda leitura insiste nas atitudes correctas que devem marcar a vida de todos os que querem acolher o Senhor: alegria, bondade, oração.







Para ver as Leituras do III Domingo do Advento, clique AQUI.

Para ver o Evangelho do III Domingo do Advento, clique AQUI.

Para ver a Reflexão sobre o Evangelho do III Domingo do Advento, clique AQUI.



Fontes:
A Caminho
Ecclesia
Farol de Luz

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Campanha da Cáritas em Portalegre-Castelo Branco

"Dez Milhões de Estrelas - Um gesto pela Paz"





Pelo 7.º ano consecutivo, a Cáritas Diocesana de Portalegre – Castelo Branco organiza a operação “Dez Milhões de Estrelas – um gesto pela Paz” criando as condições para o desenvolvimento de uma cultura de Paz no coração dos nossos concidadãos. É um facto que esta acção toca, cada vez com maior positividade, a sociedade portuguesa.


Este ano de 2009, o tema é “Os novos Desempregados” e tem como objectivo a criação de um Fundo de Apoio destinado a minorar a situação económica daqueles que foram vitimados pelo desemprego. Deste modo, no ano em curso, e a título excepcional, a percentagem das verbas resultantes da venda de velas, que habitualmente era canalizada
para apoiar projectos em países em vias de desenvolvimento, ficará em Portugal para o apoio a estes novos desempregados e às suas famílias.


Para além da venda de velas, que está em curso, no próximo dia 19 de Dezembro, pelas 19 horas, na Rua do Comércio, em Portalegre, iremos, como em anos anteriores, organizar a “Marcha pela Paz”. Partirá do adro da Sé Catedral e seguirá em direcção às escadarias da Igreja de São Lourenço.


Cáritas de Portalegre-Castelo Branco


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Distribuição do Banco Alimentar



No próximo Sábado, dia 12 de Dezembro, iremos fazer a distribuição domiciliária dos alimentos do Banco Alimentar.

Encontramo-nos no Salão Paroquial às 15h.

Quem estiver disponível para ajudar a fazer os sacos, vá ao Salão na sexta-feira às 21h.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Para saber mais sobre o ADVENTO...

Desenvolvimento histórico do tempo litúrgico do Advento






Não pode ser determinada com exactidão quando foi introduzida na Igreja a celebração do Advento. A preparação para a festa de Natal não deve ser anterior à existência da própria festa, e desta não encontramos evidência antes do final do século IV quando era celebrada em toda a Igreja, por alguns no dia 25 de Dezembro, por outros em 6 de Janeiro.

Por razões históricas, a festa do nascimento de Cristo não pode ser celebrada, publicamente, nos primeiros séculos da Igreja. Apenas em 313, passou a ser reconhecida e protegida pelo Imperador romano, Constantino. Alguns anos mais tarde, por volta de 330, esta festa foi instituída, para dar um sentido novo a uma festa pagã, que lhe era anterior: a festa do solstício de Inverno, que tinha sido criada por Aureliano, no ano de 274. Com esta festa, os romanos celebravam antecipadamente a fertilidade dos campos e o “nascimento” do sol. Os cristãos deram uma dimensão totalmente original, substituindo o astro-sol pelo “Verdadeiro Sol”, o “Sol da Justiça”, o único que traz a vida ao mundo, Jesus Cristo.

Lemos nas actas de um sínodo de Zaragoza, em 380, um cânon que prescreve que desde 17 de Dezembro até à festa da Epifania ninguém deveria faltar na igreja. Temos duas homilias de São Máximo, Bispo de Turim (415-466), intituladas "In Adventu Domini", mas não fazem referência a nenhum tempo especial. O título pode ser a adição de um copista. Existem algumas homilias, provavelmente a maior parte de São Cesáreo, Bispo de Arles (502-542), nas quais encontramos menção de uma preparação antes do Natal; todavia, a julgar pelo contexto, não parece que exista nenhuma lei geral sobre a matéria. Um sínodo desenvolvido (581) em Macon, na Gália, em seu nono cânon, ordena que desde o dia 11 de Novembro até ao Natal o Sacrifício seja oferecido de acordo com o rito quaresmal nas Segundas, Quartas e Sextas-feiras da semana. O Sacramentário Gelasiano anota cinco domingos para o tempo; estes cinco eram reduzidos a quatro pelo Papa São Gregório VII (1073-85). A colecção de homilias de São Gregório Magno (590-604) começa com um sermão para o segundo Domingo de Advento. No ano 650, o Advento era celebrado na Espanha com cinco Domingos. Vários sínodos fizeram cânones sobre os jejuns a observar durante este tempo, alguns começavam no dia 11 de Novembro, outros no 15, e outros com o equinócio de Outono. Outros sínodos proibiam a celebração do matrimónio. Na Igreja grega não encontramos documentos sobre a observância do Advento até ao século VIII. Teodoro o Estudita (m. 826), que falou das festas e jejuns celebrados comumente pelos Gregos, não faz menção deste tempo. No século VIII, desde o dia 15 de Novembro até ao Natal, é observado não como uma celebração litúrgica, mas como um tempo de jejum e abstinência que foi posteriormente reduzido a 7 dias. Mas um concílio dos Rutenianos (1720) ordenava o jejum de acordo com a velha regra desde o 15 de Novembro. Esta é a regra ao menos para alguns dos Gregos. De maneira similar, os ritos Ambrosiano e Moçárabe não têm liturgia especial para o Advento, mas somente o jejum.


Fonte: Diocese Leiria-Fátima

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Imaculada Conceição




“A santidade de Maria lembra-nos que todos somos chamados à santidade, em Jesus Cristo”


1. Esta Solenidade celebra a santidade de Maria, a sempre Imaculada. Maria Santíssima é o título com que a designamos e reconhecemos. Celebramo-la com tanta solenidade porque evoca o cerne da nossa vocação cristã: o chamamento à santidade. Deus criou o homem à Sua Imagem, para ser santo como Deus é Santo. “Sede santos porque Eu, o vosso Deus, sou Santo” (1Pet. 1,16). No drama do pecado, que a Leitura do Génesis nos evoca, a humanidade desvia-se do caminho da santidade, porque esquece a Palavra do Senhor, trocando-a por outras palavras: a do inimigo de Deus. Mas Deus não desistiu da santidade do homem. Depois do pecado, o único caminho da santidade é a redenção. A santidade define-nos como criaturas de Deus, identifica-nos com Deus. E porque Deus é amor, ser amor é experiência de liberdade. Intenção inicial de Deus, a santidade do homem é um fruto da sua liberdade, é a expressão máxima da liberdade. “Sede santos porque Eu, o vosso Deus, sou Santo” (1Pet. 1,16). No homem, ela realiza-se ao ritmo da liberdade: pode supor a recusa e o dom, a obediência à Palavra do Senhor e a autonomia da liberdade humana. Desde a primeira página da Criação, a autonomia e a obediência à Palavra de Deus compõem o cenário dramático da santidade humana. A santidade do homem, querida por Deus no acto criador, desenrola-se ao ritmo da liberdade, até percebermos que em Cristo, “Deus nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos, na caridade, santos e irrepreensíveis, diante d’Ele” (Efs. 1,3).

2. Ao criar o homem livre, Deus aceitou que a humanidade precisava de aprender a liberdade e, nessa aventura, Deus só podia ir-lhe revelando o caminho da liberdade e fortalecê-lo na descoberta do verdadeiro caminho da vida. A descoberta da liberdade é, na intenção criadora de Deus, um longo caminho a percorrer, até à sua perfeição escatológica. Esse longo caminho da aprendizagem torna-se dramático porque entrou em cena um terceiro personagem, o “inimicus homo”, que falhou ele próprio a sua caminhada de liberdade e que, ao tornar-se inimigo de Deus, tornou-se inimigo do homem, nova criatura de Deus, que encetava agora o seu caminho de aprendizagem da liberdade. A partir daí, a caminhada do homem para a liberdade tornou-se dramática: Deus atrai, fortalece a liberdade, indica-lhe o caminho; esse terceiro personagem, a que a Bíblia chama o “homem inimigo”, tenta continuamente sugerir ao homem que a liberdade é um caminho de autonomia em relação a Deus. O caminho da liberdade torna-se, então, um combate entre esse inimigo e Deus que quer a plena liberdade do homem. A vitória de Deus está assegurada, mas o exercício da liberdade transforma-se num grande combate. “Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela” (Gen. 3,15). Assim, desde o início, a conquista da liberdade tornou-se um grande combate, de vida ou de morte. Essa foi a ousadia do demónio, ao pensar que podia vencer esse combate. A descendência da mulher “há-de atingir-te na cabeça e tu a atingirás no calcanhar” (Gen. 3,15). Essa descendência da mulher é Cristo, Filho de Maria. A Sua derrota aparente no Calvário torna-se na vitória definitiva de Deus e na derrota definitiva do “homem inimigo”. O mais que este consegue são danos colaterais.

3. Nesta luta pela liberdade, e é preciso não esquecer que a liberdade resume e inclui tudo o que é humano. O homem precisa de ser salvo e esta salvação reveste-se dos traços de um drama. Deus não desiste, investe neste combate toda a sua força, até à ousadia de se tornar presente no meio de nós como Homem, para O sentirmos lado a lado nesse combate. Pela sua Palavra revela o verdadeiro sentido da liberdade; pelo seu amor infinito, fortalece o homem para este poder obedecer à sua Palavra e escolher o verdadeiro sentido da liberdade. A obediência da fé é o caminho, e este caminho é graça, isto é, exercício humano da liberdade com a força do amor de Deus. A esta obediência da fé, o “inimigo” contrapõe a autonomia da razão como única fonte de sentido e a ousadia de pensar que o homem pode percorrer o caminho da liberdade só com as suas próprias forças.

Maria é saudada como a cheia de graça, ela é a primeira mulher completamente livre, porque se abandona à Palavra do Senhor, na fé, e confia na força do Seu amor. Santo Agostinho diz que Maria acreditou pela fé e, por isso, concebeu pela fé. “Maria cumpriu perfeitamente a vontade do Pai e, por isso, Maria tem mais mérito por ter sido discípula de Cristo do que por ter sido Mãe de Cristo; mais ditosa é Maria por ter sido discípula de Cristo do que por ter sido Mãe de Cristo” (Santo Agostinho, Sermões, Ser. 25, PL 46, 937-938). Já a sua parente Isabel a saudara assim: feliz és tu porque acreditaste na Palavra que o Senhor te disse (cf. Lc. 1,45). Em Maria, a plenitude de graça começa por ser a perfeição da fé, que aceita o caminho misterioso de Deus e se abandona ao amor.

Maria é, assim, modelo de liberdade. Nela, a liberdade plenifica todas as capacidades da natureza. É esposa e mãe. São Lucas faz questão de lembrar que o Anjo Gabriel é enviado a uma Virgem que era noiva de José, e que ela conceberá no seu seio. Mas o princípio da fecundidade é o mesmo da santidade cristã daqueles que, em Cristo, se tornaram novas criaturas. Também o fruto do seu seio será obra do Espírito Santo. Esta é a grande novidade cristã: a obra da graça não menosprezará nenhuma capacidade da natureza, antes a elevará à sua plenitude. É por isso que em Maria, a cheia de graça, que é esposa e mãe, se anuncia a Igreja toda; ela obra do Espírito Santo e plenitude da criação. Santo Agostinho, no Sermão já citado, afirma com ousada surpresa: “Maria é Santa, Maria é Bem-Aventurada. Mas é mais importante a Igreja do que a Virgem Maria. Porquê? Porque Maria é uma parte da Igreja, membro santo, membro excelente, membro supereminente, mas apesar disso membro do corpo total. Se é membro do corpo, é certamente mais o corpo do que o membro. A cabeça é o Senhor, e Cristo total é a cabeça e o corpo” (Santo Agostinho, Sermões, Ser. 25, PL 46, 937-938).

Cristo e a Igreja são o caminho na longa marcha da liberdade. Os membros da Igreja, criaturas novas em Cristo, podem aprender com Maria a obediência da fé e a abandonar-se ao amor de Cristo, que é o Espírito Santo. Do mesmo modo que, nessa aprendizagem da liberdade, precisa do amor dos seus irmãos, cada cristão pode sempre contar com a ternura solícita de Maria, a cheia de graça e Mãe da Igreja.



Homilia do Patriarca de Lisboa, proferida na Solenidade da Imaculada Conceição, Sé Patriarcal, 8 de Dezembro de 2009

Fonte: Agência Ecclesia


domingo, 6 de dezembro de 2009

Para saber mais... SOBRE O ADVENTO

Estrutura do tempo de Advento





O tempo do Advento tem uma duração de quatro semanas.
Começa com as vésperas do domingo mais próximo ao 30 de Novembro e termina antes das vésperas do Natal. São 4 os domingos do Advento.

Podemos distinguir dois períodos. No primeiro deles, que se estende desde o primeiro domingo do Advento até o dia 16 de Dezembro, aparece com maior relevo o aspecto escatológico e nos é orientado à espera da vinda gloriosa de Cristo. As leituras da Missa convidam a viver a esperança na vinda do Senhor em todos os seus aspectos: a sua vinda no fim dos tempos, a sua vinda agora, cada dia, e a sua vinda há dois mil anos.

O segundo período, do dia 17 até ao dia 24 de Dezembro, inclusivé, orienta-se mais diretamente para a preparação do Natal. Somos convidados a viver com mais alegria, porque estamos próximos do cumprimento do que Deus prometera. Os evangelhos destes dias preparam-nos directamente para o nascimento de Jesus.

Não é acidental o facto de o Advento ter estas duas etapas bem definidas dentro de uma única unidade. A primeira enfatiza a necessidade de conversão permanente, enquanto condição indispensável para a salvação. A segunda privilegia a preparação próxima do mistério da encarnação do Verbo de Deus. Compreende-se pelo facto da necessidade duma preparação gradualmente mais exigente, dos pontos centrais do advento.

Temos quatro semanas nas quais de domingo a domingo nos vamos preparando para a vinda do Senhor.

A primeira semana do Advento está centralizada na vinda do Senhor no final dos tempos. A liturgia convida-nos a estar vigilantes, mantendo uma especial atitude de conversão. Acentua a vigilância na espera da vinda do Senhor. Durante esta primeira semana as leituras bíblicas são um convite a esta vigilância. “Vigiai e estai preparados, pois não sabeis quando chegará o momento”.

A segunda semana convida-nos, por meio de João Baptista a “preparar os caminhos do Senhor”; isto é, a manter uma atitude de permanente conversão. Jesus continua a chamar-nos, pois a conversão é um caminho que se percorre durante toda a vida. Para a planificação pastoral este é u mtempo privilegiado para a celebração do Sacramento da Reconciliação.

A terceira semana pre-anuncia já a alegria messiânica, pois já está cada vez mais próximo o dia da vinda do Senhor..

Finalmente, a quarta semana fala-nos do advento do Filho de Deus ao mundo. Maria é a figura central, e a sua espera é modelo e estímulo da nossa espera.

Quanto às leituras das Missas dominicais, as primeiras leituras são tomadas de Isaías e dos demais profetas que anunciam a reconciliação de Deus e a vinda do Messias. Nos três primeiros domingos recolhem-se as grandes esperanças de Israel, e no quarto, as promessas mais directas do nascimento de Deus. Os salmos responsoriais cantam a salvação de Deus que vem; são orações pedindo a sua vinda e a sua graça. As segundas leituras são textos de São Paulo ou das demais cartas apostólicas, que exortam a viver em espera a vinda do Senhor.
Quase todas as eucaristias deste período, englobam uma leitura de S. Paulo, com exortações expressivas e orientações precisas, para vivermos bem o aAdvento, enquanto tempo de preparação espiritual e de esperança. A Igreja é e será, até ao fim dos tempos, uma realidade em constante aperfeiçoamento. Constituída por homens e mulheres marcados pelo pecado, tem a obrigação e a necessidade vital de conversão constante.

Se João Baptista, na fase intermédia do Advento, é figura-chave, pelo apelo vigoroso à conversão e à vinda eminente do Messias, já Maria tem um lugar de relevo na fase final, mormente no último domingo, onde são narrados os acontecimentos que precedem, quase de imediato, o nascimento do Salvador.



Fonte: Diocese de Leiria-Fátima